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LEMBRANÇAS

LEMBRANÇAS

Mano Percio

Repasso email da mana Ivanize sobre a data natalicia do nosso father velho John. Olha que eu nem me lembrava mais dessa data e ela foi rebuscar no fundo do bau. </p

Realmente foi um grande homem e conversando com amigos do tempo dele os mesmos relatam o quão ele era genial, genioso e criativo com suas invenções incriveis:

– fogueira que não queimava.

– iluminação sem energia elétrica da companhia de eletricidade (com conversor)

– Escada de madeira que não se acabava nunca

– bancada de madeira

– casa com “pombal” e quarto de ferramentas.

– ferro elétrico para remendar câmara de bicicleta.

– fabricação de arame farpado para vender , quando no exército.

– garfo de madeira para alinhar roda de bicicleta

– doce de mamão e melancia (pois ele fazia isso)

Aqui vão outras coisas que me lembra dele (com muitas saudades)

– 600 mil diabos

– diabo de nego

– fidaputa, caralho..e outros palavrões….

– freira fica rezando pro padre que fica faz beiju no joelho…

– batida com a lambreta na bicleta de um radialista, quando ele levava a gente para passear na lambreta,  e que quase os dois vão às vias de fato, minha mãe foi lá e queria jogar uma esfera de aço na cabeça do radialista.

– castigo para eu comer um saco de biscoito de maizena 

Vale lembrar que eu nunca percebi ele:

– mentir (ele omitia, mas não mentia)

– roubar, ou ser desonesto com alguém

– brigar ou discutir com a esposa

– bater em algum dos filhos.

Mas ele gostava de falar mal de:

– Padres, freiras.

– negros

– advogado, políticos… 

tudo com muito bom humor…

Ele era:

– romântico com a esposa

– cuidadoso, organizado

– escrevia muito bem, com pouquissimos erros de portugues.

– detalhista.

– quem me defendia quando a mama queria me bater e eu subia numa ingazeira que tinha em frente de casa e ficava lá em cima trepado até ele chegar e mandar eu descer.

Mas  ninguem é perfeito:

– Lembro que nossas privadas eram de madeira e com buraco no chão, papel de jormal, e certa vez ele inovou e colocou um vaso sanitário no lugar do buraco com caixote de madeira mas sem rede de esgoto (o esgoto ia pro quintal do vizinho… que lógico, chiou prá caramba….rsrsrr)

– estressava-se com facilidade

Mas, enfim… ele foi um grande homem

Bem, se vcs lembrarem de outras, mandem pra gente fazer um glossario sobre isso e colocar no blog.

Pph


Olá Mana Nize.


Já postei a tua mensagem sobre o nosso velho father John no meu blog em:
  http://www.pepeh.com.br 

com algumas observações em itálico entre parenteses ao teu texto original e novas fotos que encontrei dele, e que estão em anexo.

————————————————–

Father John de novo
All.
A mana Nize mandou mais news do nosso velho father John, que ela foi rebuscar no fundo do baú. Aqui estão elas para o nosso deleite:
“Olá irmãos, primos e considerados.
Boas as lembranças do pai João resgatadas pelo Pph coisas que eu não lembrava mais.
Complemetando as lembranças sobre suas habilidades e trejeitos:
– confeccionava tarrafa (rede de pescar);
– móveis de madeira (era carpinteiro – sua profissão principal); (trabalhou em navios como carpinteiro)
– não ia à missa e não comia a “tapioca do padre” (hóstia);
– dizia que padre não trabalha, ele sim é que trabalhava, dava duro …
– O fato dele expressar sua intolerância com as pessoas de pele negra, não se confirmava nas suas ações. O seu melhor amigo, o seu Nazareno (já falecido), era negro do cabelo enrolado e chegou até a ser o seu compadre, sendo padrinho do Pércio e o pai João também foi padrinho de um filho dele, o Zeca. O PP deve lembrar.
O seu Nazareno frequentava nossa casa sempre que estava em Belém, pois também era viajante/estivador, como o pai João. Ele era um verdadeiro amigo da nossa família, morava em São Brás e lembro que sempre estava junto ao meu pai ajudando a resolver alguma coisa. Foi ele que contratou a aparelhagem de som “Cruz de Malta” para a festa dos meus 15 anos (Foi uma grande festança). Foi ele que ajudou na documentação do terreno da casa e arranjou um bom pedreiro (seu Jorge, que bebia prá caramba, e junto com o father John e seu Jozias e outros fundaram o “Sindicato da bebida” no bar do seu Jojó) que começou a construir a nossa casa. E também foi ele que enfrentou o vizinho dos fundos que a noite ficava iluminando com lanterna para o nosso quintal quando íamos ao banheiro. E por aí afora deve haver mais coisas que eu não lembro.
Outra negra muito querida pelo meu pai: A mãezinha, que hoje está com 104 anos, teve vários filhos negros e era a médica popular da família, com seus remédios caseiros (ela enfiava o seu dedão embebido em uma gororoba amarga horrosa na nossa garganta para curar dor de garganta).

Sua filha mais velha, Maria (negra), mãe da Kelly, era muito amiga do meu pai e só chamava ele de “arigó” nas brincadeiras e até tirava fotos com ele.
Nosso pai assim como ainda uma boa parte das pessoas não nasceram racistas e/ou preconceituosas, mas sim foram ensinadas a ser racistas, seja na própria família ou até na escola. Ainda mais no seu tempo, nascido no sertão do Ceará (1917) e imigrante, se dizer racista, ou parecer racista, era coisa de “gente de bem”, “gente superior”, que não tem nada a ver com aqueles “diabos de negos”, que haviam sido “libertados” da escravidão no Brasil, ha aproximadamente 30 anos. Era uma forma de se autovalorizar, de se diferenciar da maioria dos pobres (que são os negros) por ter a pele um pouco mais clara. Ainda que nosso pai demonstrasse a sua intolerancia com os negros, nós todos os filhos combatíamos, categoricamente, a sua postura, pois na escola Santo Afonso fomos ensinados a amar o próximo como a nós mesmos, o que preservamos até hoje. Vale registrar, que essa intolerância ficou mais evidente quando ele já estava aposentado e foi acometido de esclerose, vindo a falecer sem mudar a sua opinião, aparentemente.
Por diversas vezes eu conversei com ele tentando mostrar que as pessoas não eram melhor ou pior por causa da cor da pele. Eu até dizia que ia me casar com um negro e ter vários filhos negros, que iam ser seus netos. Ele sorria.
Bem, nosso pai, racista ou não, foi verdadeiramente um exemplo de ser humano. Sempre ajudou as pessoas da rua quando precisavam, especialmente quando adoeciam ou se acidentavam e não tinham transporte para ir para o hospital. Ele levava na lambreta. Foi pioneiro na mobilização dos moradores para a instalação da rede de energia elétrica, água e aterramento da rua, juntamente com outros vizinhos. Sabia fazer de tudo um pouco. Quase parecido com o professor Pardal. Esse foi o nosso saudoso e querido pai. Qualquer semelhança com seus filhos e netos, tirando o viés do racismo, não é mera coincidência. É exemplo de vida!!!!!
Ivanize dos Santos Carvalho
PS. Se lembrar de outros episódios farei o relato.


Date: Sun, 24 Apr 2011 17:39:10 -0300
Subject: Re: Niver Velho John

Olá irmãos, primos e considerados.

Boas as lembranças do pai João resgatadas pelo PP. Coisas que eu não lembrava mais.

Complemetando as embranças sobre suas habilidades e trejeitos:

– confeccionava tarrafa (rede de pescar);
– móveis de madeira (era carpinteiro – sua profissão principal);
– não ia à missa e não comia a “tapioca do padre” (hóstia);
– dizia que padre não trabalha, ele sim é que trabalhava, dava duro …


– O fato dele expressar sua intolerância com as pessoas de pele negra, não se confirmava nas suas ações. O seu melhor amigo, o seu Nazareno (já falecido), era negro do cabelo enrolado e chegou até a ser o seu compadre, sendo padrinho do Pércio e o pai João também foi padrinho de um filho dele, o Zeca. O PP deve lembrar.

O seu Nazareno frequentava nossa casa sempre que estava em Belém, pois também era viajante/estivador, como o pai João. Ele era um verdadeiro amigo da nossa família, morava em São Brás e lembro que sempre estava junto ao meu pai ajudando a resolver alguma coisa. Foi ele que contratou a aparelhagem de som “Cruz de Malta” para a festa dos meus 15 anos (Foi uma grande festança). Foi ele que ajudou na documentação do terreno da casa e arranjou um bom pedreiro que começou a construir a nossa casa. E também foi ele que enfrentou o vizinho dos fundos que a noite ficava iluminando com lanterna para o nosso quintal quando íamos ao banheiro. E por aí afora deve haver mais coisas que eu não lembro.

Outra negra muito querida pelo meu pai: A mãezinha, que hoje está com 104 anos, teve vários filhos negros e era a médica popular da família, com seus remédios caseiros. Sua filha mais velha, Maria (negra), mãe da Kelly, era muito amiga do meu pai e só chamava ele de “arigó” nas brincadeiras e até tirava fotos com ele. 

Nosso pai assim como ainda uma boa part e das pessoas não nasceram racistas e/ou preconceituosas, mas sim foram ensinadas a ser racistas, seja na própria família ou até na escola. Ainda mais no seu tempo, nascido no sertão do Ceará (1917) e imigrante, se dizer racista, ou parecer racista, era coisa de “gente de bem”, “gente superior”, que não tem nada a ver com aqueles “diabos de negos”, que haviam sido “libertados” da escravidão no Brasil, ha aproximadamente 30 anos. Era uma forma de se autovalorizar, de se diferenciar da maioria dos pobres (que são os negros) por ter a pelo um pouco mais clara. Ainda que nosso pai demonstrasse a sua intolerancia com os negros, nós todos os filhos combatíamos, categoricamente, a sua postura, pois na escola Santo Afonso fomos ensinados a amar o próximo como a nós mesmos, o que preservamos até hoje. Vale registrar, que essa intolerância ficou mais evidente quando ele já estava aposentado e foi acometido de esclerose, vindo a falecer sem mudar a sua opinião, aparentemente.  

Por diversas vezes eu conversei com ele tentando mostrar que as pessoas não eram melhor ou pior por causa da cor da pele. Eu até dizia que ia me casar com um negro e ter vários filhos negros, que iam ser seus netos. Ele sorria. 

Bem, nosso pai, racista ou não, foi verdadeiramente um exemplo de ser humano. Sempre ajudou as pessoas da rua quando precisavam, especialmente quando adoeciam ou se acidentavam e não tinham transporte para ir para o hospital. Ele levava na lambreta. Foi pioneiro na mobilização dos moradores para a instalação da rede de energia elétrica, água e aterramento da rua, juntamente com outros vizinhos. Sabia fazer de tudo um pouco. Quase parecido com o professor Pardal. Esse foi o nosso saudoso e querido pai. Qualquer semelhança com seus filhos e netos, tirando o viés do racismo, não é mera coincidência. É exemplo de vida!!!!!

Ivanize dos Santos Carvalho

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