A Parte Pior da História

A Parte Pior da História

O dia hoje a bordo do NT (navio tanque)  Lindóia BR, navegando na costa do
Espírito Santo, no oceano Atlântico, prometeu muito…
Começou que no meu turno das 04 às 08 hs tivemos uma chuvarada muito forte e
longa, visibilidade bastante restrita, que veio junto com os primeiros raios de
sol e se prolongou por todo o turno de serviço. Em compensação, ao mesmo tempo
tivemos um desfile impressionante de belas e graciosas baleias por todos os
lados. Foram mais de 15 baleias e seus filhotes aparecendo a todo momento e batí
umas fotos delas. Aliás, desde o Ceará elas já vem dando o ar de sua graça, mas
só aqui no Espírito Santo é que elas resolveram fazer o desfile atrasado de 7 de
setembro. Parecia ensaio geral, a bombordo, a gente ia prá bombordo e outras
apareciam a boreste, a gente ia prá boreste e outras apareciam na proa. As
gaivotas também resolveram fazer gracinhas e acompanhavam o navio, algumas dando
mergulhos fulminantes em busca de peixe que apareciam com as ondas formadas pelo
deslocamento do navio.  Só os golfinhos é que não apareceram hoje.
Por volta das 06:50 hs o telefone do satelite tocou, era um dirigente informando
que uma menina havia ligado para a Transpetro para que a Transpetro entrasse em
contato com o navio pelo telefone do satélite para informar que a mãe de um dos
marinheiros havia falecido na madrugada. Essa é a pior parte da história de
nossa profissão. Num caso desses não há muito o que se fazer, a não ser esperar
o navio chegar ao porto, ou telefonar para a residência e saber maiores
detalhes. E foi o que o marinheiro fez. Mas a gente entende que isso mexe com o
estado emocional da pessoa que foi dispensada do trabalho diante do ocorrido.
O sol agora está forte e a temperatura aumentou e o navio balança um pouco e
logo mais vamos entrar numa área de risco da bacia de Campos.

Ptr

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